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MARTINA GALARZA

Martina participou na 5. Oficina de corpo e arte deste projeto, realizada no dia 15 de julho de 2021.

Na sua apresentação pessoal, mencionou que é atriz há muitos anos e que agora, aos 40, iniciou o curso de artes do corpo na PUC-SP. Disse também que tem e teve problemas de autoestima ao se confrontar com o meio acadêmico tendo vindo de uma escola pública. Outra questão abordada foi o “luto”, pelo qual, segundo ela, já passou três vezes.

LEVEZA

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Em seu primeiro desenho, em que se deve desenhar um objeto do entorno olhando para o mesmo e sem olhar o papel, Martina escolheu seus óculos em cima da mesa. Traços simples, certeiros e leves. Sem preenchimentos. Apenas contorno.

Para o segundo desenho, em que a instrução é olhar para o mesmo objeto através de um foco e desenhar um fragmento do objeto, Martina escolheu a estrutura que conecta as duas lentes. Ligar a visão rachada, cortada em uma imagem única. O resultado são diversos pedaços de uma forma que se repete freneticamente e que, imediatamente, remetem para a letra “m” conforme nos contou a própria Martina, lembrando de suas aulas de caligrafia na infância. Eu vejo um grupo de pássaros migrando antes do inverno chegar.

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O terceiro desenho vem depois da vivência de formas em movimento, exercício que proponho para que o corpo desenhe cortando as referências conceituais pré-estabelecidas ou ao menos adaptando-as à sua realidade específica. O terceiro e último desenho de Martina é formado por diversos traços longilíneos e contínuos com algumas curvas. A característica frenética do desenho 2 assume uma estética mais fluida e arredondada, embora ainda fragmentada.

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A folha é separada ao meio por uma linha mais longa que marca um certo centro de união do desenho, não uma divisão. Uma estrutura de ligação entre várias partes. As outras linhas, mais curtas acompanham este centro expandindo para as margens do papel e dando a impressão de que continuam essa expansão partindo do centro para fora do próprio papel. O desenho, assim como na vivência de formas, se compõe através do corpo que se move no espaço. Martina associou a palavra leveza a este desenho. O luto talvez ainda esteja representado ali, mas com formas mais arredondadas que levam para além da história especificamente individual.