Meu pai faleceu em 2017. Desde então comecei a pensar o tempo na vida de uma forma diferente. Não só o tempo na vida, mas a própria vida: uma espécie de caminhada entre o agora e o infinito. Eu e meu pai passamos anos planejando ir para a França, praticar a meditação andando com o mestre budista Tihch Nhat Hanh. Enquanto ele estava vivo, eu não tomei a decisão de ter tempo para isso e o tempo passou...
Coleciono flores que secam sem perder a cor, como a primavera. Depois que meu pai se foi, ajuntei caixas e caixas compulsivamente. Mas não sabia exatamente porque. Um dia, encontrei na Internet um poema de Tihch Nhat Hanh chamado Meditação Andando. Intuitivamente, fiz um solo de primaveras que secam eternamente e comecei a andar sobre elas, sem sair do lugar. Me desloquei para outro tempo e espaço, onde estar aqui ou ali, agora, ontem ou amanhã, já não importava mais.
Essa performance ficou gravada em mim e nas flores que registram uma caminhada sem fim para lugar nenhum.
link para video-performance: www.vimeo.com/320188083
link para performance infinita ao vivo na Supernova Arts (São Paulo, Março de 2019): www.vimeo.com/328006801
Comments